Voltei a escrever. Sem pretensão nenhuma. Apenas por necessidade. Tudo passa tão rápido aos meus olhos, que escrever funciona como um possível botão “stop” nas cenas dos meus curtas-metragens. É uma forma de meu me aproximar mais com tudo o que vejo por aí. Estou levando a sério esta tal coisa de mudar. Também por necessidade, mas desta vez, com um certo grau de pretensão. Uma delas é que, às vezes, buscamos tratar bem as outras pessoas, mas esquecemos de nos tratar bem.
A gente corre tanto que já nem lembra o porque, e o como fazer melhor, o que fazemos sempre. Isso faz mal para tudo, e até para o exercício mental. Nos acomodamos muito fácil. E essa sensação me aborrece. Ficar parado e acomodado são posições normais, porque sempre buscamos estar seguro, frente aos outros e ao mundo. Com isso, a mente fica mais lenta para assimilar coisas novas, ariscar, ser criativa.
Fazer caminhos diferentes, comer de outra forma, nos dar direito à preguiça. São coisas que podemos mudar sempre. Ser previsível é muito pouco sexy. Tentar nos desprogramar é bem difícil, mas importante para que possamos limpar um pouco o nosso armário e abrir espaço para coisas novas.
Essa introdução vem de uma revista ainda pouco conhecida entre as nossas fontes acomodadas, de conhecimento em massa: a revista Vida Simples. Encontrei a edição de Setembro em um restaurante vegetariano na Lapa, e fui atrás dela, pois a matéria de capa era sobre: Ansiedade. E aqui entre nos, pelo menos o 1º passo de reconhecer o problema eu já dei. Agora estou reunindo esforços para mudar. Este texto é um canal. Fiquei feliz de ler a matéria, porque além de me ajudar, com mais um pouco de conhecimento sobre psicologia, me mostrou que o meu caso ainda não é patológico. Que bom!
Mas, tenho que me cuidar para que a idade e toda aquela perda de abertura para o mundo, não me impeça de ser eu. Não é muito meu perfil ficar pensando em produtividade /minuto, mas fico preocupada toda vezes que me pego agindo assim. Temos que tomar cuidado com as nossas raízes, com nossos afetos e manias. Não gosto da impressão de não ter tempo, não gosto da idéia de não conseguir fazer nada direito, por fazer várias coisas e ter a sensação de errar mais do que acertar. Não gosto de não aproveitar o momento e tenho que me segurar para não ficar o dia inteiro correndo de um lado para o outro.
Será que precisamos ser rápidos? Será que precisamos nos cobrar tanto? Quem disse? Quem cobra?
Ansiedade é muito boa para que a gente não se acomode no que incomoda. Por isso decidir denunciar ela, que em exagero me incomoda muito e tem reflexos diretos na saúde do corpo e da mente.
Sábias palavras foram ditas sobre a brevidade da vida, o irrecuperável tempo perdido e da fatalidade de sentir a vida passando sem que nos possamos perceber (Sêneca e Virgílio), e essa sensação de ampliação de aumento da velocidade do tempo, é gerada pela ampliação de informações acessíveis. Cabe muito mais coisa dentro de um mesmo espaço. E devemos usá-la como possibilidades e não como fontes de angústias.
O segredo não é novo. É preciso ter prioridades. E assim saborear o que a gente realmente gosta, o que realmente faz sentido para a nossa vida, sabendo que tudo acontece ao seu tempo. Para fazer bem alguma coisa é difícil fazê-la com muitas outras tarefas.
Ao ler esta matéria surge uma dúvida, ela diz que as pessoas querem fazer muitas coisas pensando no futuro, como se adiasse a vida. Mas, eu não. Esse amontoado de coisas que faço é pensando em aproveitar o hoje. Assumidamente da forma errada, penso que assim consigo viver mais intensamente. Por isso, defendo, o Desenvolvimento sustentável para as futuras, mas principalmente para as PRESENTES gerações. Será uma outra forma de ansiedade? E será que isso é uma forma de não encarar a mim mesmo e aos meus problemas?
Só sei que decide viver menos esta minha cultura aos pedaços, amor em doses homeopáticas, chega que tanta superficialidade. Credo!
“A repressão age como um agrotóxico” diz Chacal, nos impedindo de ser mais nós, de todos os lados recebemos tarefas que nos impedem de ser e ver o mundo. Auto-censura e medo nos prendem ao chão. Alcançar certas liberdades leva tempo. Ande por outro caminho hoje. Rompa seus paradigmas. Não deixe de reclamar, não deixe para manifestar sua opinião.
Adoro esta incerteza. Mas, que dilema é querer a mudança. Pois, quando ela chega, nossaa! quase morremos de tanta, angústia e nosso instinto de proteção nós puxa para o comodismo, para “o ficar aqui”, para o “não se envolver”. E assim, passamos a vida toda tentando equilibrar essas forças que existem no mundo e em nos mesmos.
Ainda quero responder a pergunta de forma correta e com calma, mas não devagar. Continuo desgostando de gente lerda. Uma mudança de cada vez. Sem transferência de culpa. Mudar dói.
Nati, por uma vida menos líquida.